Análise sensorial: valorizando os aspectos positivos da cerveja artesanal

(adaptado de artigo de Hanna Laney para o Huffinton Post, disponível em http://www.huffingtonpost.com/hanna-laney/beer-tasting_b_974384.html)

Com o crescimento da popularidade da cerveja artesanal como uma indústria e, mais importante, como uma cultura, naturalmente vimos crescer também um extenso e complexo vocabulário cervejeiro.

A cerveja artesanal pode ainda pertencer a um segmento minoritário do mercado global mundial de cerveja, mas sua inegável ascensão de popularidade se mostrou tanto um desafio como um sucesso. De fato, com mais pessoas clamando pelas artesanais, a indústria se beneficiou com muitos novos consumidores interessados ​​e motivados.

No entanto, alguns argumentam que a taxonomia e vocabulário usado em degustação e avaliação de cerveja é profundamente falho e precisa de reforma. Se vemos a cerveja artesanal como a maravilha “feita a mão” que é, deveríamos medir sua qualidade de uma forma mais clara e objetiva.

Um defensor de uma reforma sobre o modo como classificamos os estilos de cerveja é Karl Ockert, diretor técnico da Associação de Mestres-Cervejeiros das Américas e ex mestre-cervejeiro e fundador da Bridgeport Brewing Company.

Atualmente, degustações de cerveja focam, como lembra Ockert, no processo de produção e no tipo de levedura. Isto é, a taxonomia de cerveja deriva da grande distinção entre ales e lagers. Ockert discorda dessa classificação, dizendo:

“Isso faz sentido para fabricantes de cerveja que escolhem os ingredientes, processos e estilos de cerveja a fazer. No entanto, muitos consumidores têm dificuldade em compreender as diferenças e/ou não se importam. Quantos milhares de vezes nos últimos 28 anos tenho sido perguntado “qual é a diferença entre uma lager e uma ale?”

A complexa taxonomia de cervejas (clique na imagem para ampliar)

 

Ockert foi pioneiro em um novo programa chamado de Beer MBAA Steward Certificate, que se esforça para mudar isso. O programa, que Ockert estreou em janeiro de 2011, foca mais na experiência sensorial de cerveja – os sabores dominantes encontrados em cada bebida específica. Mais do que a simples distinção ale ou lager, o programa divide as cervejas em categorias que focam na predominância de sabor de cada ingrediente: malt-driven (cervejas maltadas) hop-driven (lupuladas), fermentation driven (sabor da levedura se destaca) e saborizadas (um ingrediente extra – p. ex. frutas – é predominante).

“Nós podemos usar um vocabulário comum para cada grupo para ajudar o degustador a descrever com precisão o perfil completo de sabor das cervejas, indo muito além ‘maltado’ e ‘lupulado’, diz Ockert, “Isto se aproxima muito mais da maneira como os enólogos descrevem positivamente os sabores do vinho”.

Esta abordagem positiva é uma distinção importante, separando o programa daqueles que principalmente se concentram em identificar os pontos negativos ou off-flavors na cerveja, incluindo oxidação, acetaldeído, diacetil ou dimetilsulfitos.

O Certificado de Beer Steward se aprofunda também. Não contente em apenas parar no simples “lupulado” ou “maltado”, Ockert espera que o programa abrirá uma leque de adjetivos para os consumidores. Ele diz:

“Isso não significa que nós descrevemos uma cerveja como ‘um passeio na chuva de primavera’, mas sim que quando falamos de uma IPA lupulada, nós usamos termos como cítrico, rosa, pinho, limão, etc., dependendo da cerveja, que pintam um retrato exato do sabor da cerveja.”

Segundo Ockert, a missão de seus cursos é de “formação de profissionais de cerveja que olhem para a cerveja de uma maneira nova e especial” A chave aqui é “especial”. A cerveja artesanal é produzida com atenção e carinho e deve ser consumida da mesma forma.

Alguns podem ver essa visão positiva como irreverente ou como frescura, mas ela pode ensinar-nos a ser melhores degustadores de cerveja, consumidores mais sensíveis, analisadores mais afiados e, até, seres humanos melhores. Focalizando em atributos  positivos e únicos da cerveja, podemos apreciá-la como um produto artesanal, valorizando esse método de produção, ao invés de usar nossa  experiência para identificar só os aspectos negativos.

E se usássemos esta filosofia para descrever outras coisas? Será que a visão de Ockert para degustação da cerveja poderia nos guiar em outras atividades, incentivando-nos a encontrar os aspectos positivos em tudo que experimentamos com nossos sentidos? Deixe sua opinião nos comentários!

Por uma visão mais positiva da cerveja artesanal e da vida. Eu brindo a isso!

[p.s. – não podia deixar de lembrar desse clássico do Monty Python! 🙂 ]

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Uma resposta para “Análise sensorial: valorizando os aspectos positivos da cerveja artesanal

  1. Zanith 13/10/2011 às 13:40

    Também com a idéia de facilitar a vida de iniciantes à cultura cervejeirs, o blog Aleheads propõe ainda uma outra forma de classificação, por cores (!) [em inglês]: http://aleheads.com/2010/09/13/a-new-approach-to-beer-styles/

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