Um pouco mais sobre a CAMRA, e sua cruzada a favor das Ales de verdade

No começo da década de 70, o mundo passava por grandes mudanças; a Guerra do Vietnã continuava, o mundo estava dividido em duas grandes potências econômicas e bélicas, o Brasil era Tri-Campeão no México, firmando-se como pais do futebol, e as grandes coorporações cervejeiras consolidavam a regra daquilo que deveria ser a cerveja: pálida, alto drinkabillity, nada desafiador e muito, muito padronizada. Não importava a empresa, nem o país, as grandes empresas cervejeiras atropelavam tradições, estilos e culturas nacionais; estabeleciam a homogeneização do que, até hoje, regem muito do mercado cervejeiro.
Pois bem, nesse cenário desanimador, quatro amigos do noroeste inglês –  Michael Hardman, Graham Lees, Bill Mellor e Jim Makin – começaram uma campanha contra a qualidade das cervejas servidas na região, a Campaign for Revitalisation of Ale, que em 1973 se tornou a CAMRA (CAMPAIGN FOR REAL ALE).


A CAMRA é uma organização voluntária, independente, organizada por consumidores que visa o apoio as pequenas cervejarias (por meio de diminuição de impostos e licenças diferenciadas), o apoio a Ales de verdade, aos Pubs de verdade (pubs esses que vendam um maior número de variedades de cervejas, visando o apoio a diversificação dos produtos) e aos consumidores. Ela pode ser considerada a mãe da American Homebrewers Association e avó das Acervas brasileiras.
Como é uma organização sem fins lucrativos, ela é sustentada pela mensalidade dos sócios. A organização mantem duas revistas: a ‘What’s Brewing’ que é mensal e o ‘Beer Magazine’ que saí de quatro em quatro meses, além de promoverem festivais, como o enorme ‘Great British Beer Festival’.
Segundo descrição da CAMRA uma ‘Real Ale’ é uma cerveja feita com ingredientes naturais e tradicionais a esse processo (água, lúpulo, fermento e cevada maltada, contudo frutas, trigo e outras especiarias são tambem aceitas), a maturação é feita em barril a temperatura controlada e seu armazenamento tambem deve ser observado atentamente, pois tudo isso contribui para a experiência de cerveja ‘viva’ que é tão importante para a CAMRA. Processos como a filtração e pasteurização são considerados danosos para a cerveja, sendo culpados pela ‘morte da cerveja’, segundo seus mesmos parâmetros.
A CAMRA completou 40 anos no último dia 16, de ótimos serviços prestados a todos nós.
Cheers!

mais informações no:

http://camra.org.uk

Marcus F. Sigolo

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