Lúpulo Extravaganza

O Lúpulo é uma flor que contribui com o amargor e aromas cítricos e florais à cerveja. No processo cervejeiro sua utilização é na fervura, e pode ocorrer em duas fases distintas, a primeira adição para o amargor (no começo da fervura) e a segunda para os aromas (no final da fervura).
A sua utilização na cerveja se deu por volta do século 13, em que os cervejeiros ‘descobriram’ que a utilização do lúpulo balanciaria o doce daquela bebida fermentada (em alguns monastérios europeus a cultura da utilização do lúpulo na cerveja era mais antiga que isso, desde o século nove), sendo rapidamente difundida por toda a Europa cervejeira, e em 1516 era um dos 3 ingredientes da Lei da Pureza Alemã (Reinheitsgebot) – água, cevada e lúpulo, sendo que a levedura foi adicionada posteriormente. Outro atrativo do lúpulo foi sua propriedade preservativa, indispensável em uma época em que era comum ter problemas de contaminação, tanto por fungos como por bactérias na cerveja.
A unidade que mede o amargor da cerveja é o IBU (Internacional Bitter Unity). É uma escala que vai de zero a 100 IBUs, dependendo do estilo da cerveja; por exemplo as cervejas Pale Ale inglesas típicas, tem IBUs de 25-35, as Brown Ales, também inglesas, de 12-30, as alemãs Bock e Weissen (cervejas de trigo) 16-35 IBUs e 8-15 IBUs, respectivamente. As cervejas tchecas do tipo Lager (1795, Budweiser Budvar/Czechvar) tem IBUs de 35-45 IBUs.
Lembrando que o IBU pode variar de uma cerveja para outra, mas sempre dentro do estilo, pois um amargor muito pronunciado em uma ceveja sem o necessário corpo/malte para balancear, por exemplo, não é uma qualidade desejável.
As cervejas inglesas India Pale Ale, e suas versões americanas, são as cervejas geralmente de maior amargor, e se destaca pelo lado inglês a Meantime India Pala Ale, e a cerveja Ruination IPA (da Stone Brewery), representante americana (que possui 100 IBUs!).

O lúpulo também é muito apreciado como a iguaria que “perfuma” a cerveja com um espectro de aromas cítricos e florais muito interessante. Na técnica do dry-hopping, por exemplo, uma quantidade extra de lúpulo é adicionada durante a maturação da cerveja, conferindo assim aromas mais extravagantes e pronunciados. A escola estadunidense, por exemplo, adiciona em suas IPA quantidades generosas de lúpulo, produzindo cervejas muito intensas mas nem por isso pouco apreciadas. As IPA’s são muito bem aceitas por lá.

A Sinnatrah produz a B’IPA, nossa IPA que remete a essa tradição e a algum tempo fizemos uma leva de uma Imperial IPA, a Mega B’IPA com dry-hopping e lúpulo à vontade.

A planta do lúpulo em toda sua exuberância. Os cones mais claros são as partes utilizadas na cerveja.

Marcus Felipe

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